O que é a cobra-coral-verdadeira?
A cobra-coral-verdadeira é o nome popular dado às serpentes do gênero Micrurus, pertencentes à família Elapidae, que compreende serpentes peçonhentas com presas fixas na parte anterior da boca. É famosa pela coloração vibrante e anéis alternados vermelhos, pretos e brancos ou amarelos, sendo frequentemente confundida com serpentes não peçonhentas que imitam sua aparência, conhecidas como falsas-corais. Existem diversas espécies de corais-verdadeiras no Brasil, como Micrurus corallinus e Micrurus lemniscatus, sendo encontradas em diferentes biomas do país. Apesar de seu veneno potente, trata-se de uma serpente tímida, que raramente entra em contato com humanos.
Características físicas da cobra-coral-verdadeira
A cobra-coral-verdadeira apresenta corpo cilíndrico, liso e de pequeno porte, com comprimento que varia geralmente entre 50 centímetros e 1 metro, embora algumas espécies possam ultrapassar esse tamanho. Sua principal característica visual é a coloração anelada com padrões bem definidos, geralmente com anéis vermelhos intercalados por anéis pretos e brancos ou amarelos. Os olhos são pequenos e pouco salientes, com pupila arredondada. Como todas as elapídeas, possui presas anteriores fixas (proteróglifas), o que facilita a inoculação de veneno. A cabeça não é muito distinta do corpo, o que dificulta a visualização de sua forma por predadores e presas.
Reprodução da cobra-coral-verdadeira
As cobras-corais-verdadeiras são ovíparas, ou seja, reproduzem-se por meio da postura de ovos. O número de ovos varia de acordo com a espécie, mas geralmente são depositados entre 3 e 12 ovos em ambientes abrigados e úmidos, como sob troncos em decomposição ou entre folhas secas. O período de incubação pode durar várias semanas, e os filhotes já nascem independentes, com coloração e veneno semelhante ao dos adultos. O comportamento reprodutivo das corais-verdadeiras é discreto, e ainda há lacunas no conhecimento científico sobre os detalhes do acasalamento dessas serpentes no ambiente natural.
Habitat e distribuição geográfica
As cobras-corais-verdadeiras são encontradas em diversos biomas brasileiros, incluindo a Mata Atlântica, a Floresta Amazônica, o Cerrado e a Caatinga. São serpentes de hábitos fossoriais e semifossoriais, ou seja, vivem boa parte do tempo sob o solo, entre a serrapilheira ou sob galhos e troncos caídos, emergindo principalmente em períodos chuvosos ou ao entardecer. São registradas em regiões com vegetação densa, solos úmidos e boa cobertura orgânica, embora também possam habitar áreas alteradas, desde que ainda apresentem microambientes adequados para sua sobrevivência.
Comportamento da cobra-coral-verdadeira
A cobra-coral-verdadeira possui comportamento reservado e defensivo, raramente atacando sem provocação. Diante de ameaças, adota comportamentos de advertência, como esconder a cabeça sob o corpo e exibir os anéis coloridos com movimentos ondulatórios. Também pode simular ataques sem morder, numa tentativa de afugentar predadores. Sua atividade é predominantemente noturna ou crepuscular, com períodos de maior atividade em dias úmidos. São serpentes solitárias, que mantêm um território próprio e só se aproximam de outros indivíduos na época de reprodução.
Alimentação da cobra-coral-verdadeira
A dieta da cobra-coral-verdadeira é composta principalmente por outras serpentes, inclusive da mesma espécie (canibalismo), além de cobras menores e lagartos. Algumas espécies também se alimentam de anfíbios e, ocasionalmente, de pequenos vertebrados. Por serem elapídeas, seu veneno neurotóxico atua rapidamente sobre o sistema nervoso das presas, paralisando-as antes da deglutição. A estratégia de caça envolve emboscadas, seguidas de mordidas rápidas e firmes. Apesar de seu veneno potente, as corais-verdadeiras não são agressivas com seres humanos, mantendo-se escondidas na maior parte do tempo.
Curiosidades:
- Existe outra espécie de serpente conhecida como cobra-coral-falsa. Esta não é venenosa, porém, através do mimetismo, é muito parecida com a verdadeira.
- O veneno da coral verdadeira é neurotóxico, ou seja, atinge o sistema nervoso central.
- Esta serpente possui hábito de vida noturno.
- Quando se sente ameaçada, a coral verdadeira movimenta a ponta da cauda de forma rápida. Assim, consegue simular a própria cabeça para confundir seus predadores.

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Coral-verdadeira: venenosa e presente no Brasil. |
Classificação científica:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Serpentes
Família: Elapidae
Gênero: Micrurus
Por Equipe Toda Biologia
Atualizado em 14/08/2025