Como é o sistema circulatório dos anfíbios?
Aspectos gerais
O sistema circulatório dos anfíbios é responsável por transportar nutrientes, gases e substâncias essenciais por todo o corpo desses vertebrados, garantindo o funcionamento adequado dos tecidos e órgãos. Ele apresenta características intermediárias entre os peixes e os répteis, refletindo a posição evolutiva dos anfíbios na transição entre a vida aquática e a terrestre. Por viverem em ambientes variados e alternarem fases aquáticas e terrestres, os anfíbios possuem adaptações circulatórias que permitem trocas gasosas eficientes tanto na água quanto no ar.
Características gerais do sistema circulatório
O sistema circulatório dos anfíbios é fechado, ou seja, o sangue circula exclusivamente dentro de vasos sanguíneos. É do tipo duplo e incompleto: duplo porque o sangue passa duas vezes pelo coração em um ciclo completo (uma vez para oxigenação e outra para distribuição), e incompleto porque há mistura parcial do sangue arterial e venoso. Esse padrão é adequado às necessidades metabólicas dos anfíbios, que possuem metabolismo menos elevado em comparação a aves e mamíferos.
Estrutura do coração
O coração dos anfíbios apresenta três câmaras: dois átrios e um ventrículo. O átrio direito recebe sangue venoso proveniente do corpo, enquanto o átrio esquerdo recebe sangue arterial vindo dos pulmões e da pele, através das veias pulmocutâneas. Ambos os átrios se comunicam com um único ventrículo, onde ocorre mistura parcial do sangue. Apesar dessa mistura, o coração dos anfíbios possui estruturas internas e padrões de fluxo que ajudam a direcionar o sangue mais oxigenado para os tecidos e o menos oxigenado para os pulmões e a pele.
Circulação dupla e incompleta
Na circulação dos anfíbios, há dois circuitos principais: o circuito pulmonar (ou pulmocutâneo) e o circuito sistêmico. No circuito pulmonar, o sangue pobre em oxigênio é enviado aos pulmões e à pele para ser oxigenado. No circuito sistêmico, o sangue mais rico em oxigênio é distribuído pelo corpo. Como existe apenas um ventrículo, parte do sangue oxigenado mistura-se com o sangue desoxigenado, mas a separação parcial garante um fornecimento relativamente eficiente de oxigênio aos tecidos.
Trocas gasosas e respiração cutânea
Os anfíbios realizam trocas gasosas não apenas pelos pulmões, mas também pela pele, processo chamado de respiração cutânea. A circulação sanguínea está intimamente ligada a esse mecanismo, pois as veias pulmocutâneas transportam sangue oxigenado tanto dos pulmões quanto da pele até o átrio esquerdo. Essa adaptação é essencial para a sobrevivência em ambientes aquáticos e para períodos em que os anfíbios permanecem submersos.
Adaptações ao modo de vida
O sistema circulatório dos anfíbios é flexível e adaptável a diferentes condições ambientais. Em momentos de baixa atividade ou quando estão submersos, a respiração cutânea torna-se predominante, e o fluxo sanguíneo para os pulmões é reduzido. Já em situações de maior atividade fora da água, há maior circulação para os pulmões, garantindo oxigenação mais eficiente. Essas mudanças no padrão circulatório demonstram a versatilidade fisiológica desses animais.
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Sistema Circulatório dos Anfíbios: coração com 1 ventrículo e 2 átrios.
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Artigo revisado por Tânia Cabral - Professora de Biologia e Ciências - graduada na Unesp, 2001.
Atualizado em 09/08/2025