Caracóis

 

O que são os caracóis?


Os caracóis são moluscos gastrópodes que pertencem à classe Gastropoda e se destacam por possuir uma concha em espiral, que utilizam como proteção. São animais de corpo mole, com grande diversidade de espécies, vivendo em ambientes terrestres, dulcícolas e marinhos. Dotados de adaptações únicas, desempenham papel ecológico importante, como a decomposição da matéria orgânica e o controle de vegetação.



Principais características físicas:



- Presença de concha: os caracóis possuem uma concha externa calcária, geralmente em espiral, que serve como abrigo contra predadores e condições ambientais adversas.


- Corpo mole e alongado: o corpo do caracol é dividido em cabeça, pé e massa visceral, recoberto por um muco que facilita a locomoção e evita a perda de água.


- Tentáculos sensoriais:
apresentam dois pares de tentáculos, sendo o superior responsável pela visão (com olhos nas extremidades) e o inferior pela percepção tátil e olfativa.


- Pé muscular:
a locomoção ocorre através de contrações rítmicas no pé, permitindo que o animal se desloque sobre superfícies variadas, deixando um rastro de muco.



Alimentação


Os caracóis são, em sua maioria, herbívoros, alimentando-se de folhas, frutas em decomposição, algas e fungos. Algumas espécies aquáticas e terrestres também podem apresentar hábitos detritívoros, contribuindo para a reciclagem de matéria orgânica. Eles utilizam uma estrutura chamada rádula, semelhante a uma língua com pequenos dentes, para raspar e triturar os alimentos.



Habitat e distribuição geográfica


Caracóis habitam uma ampla variedade de ecossistemas. Podem ser encontrados em florestas, jardins, rios, lagos, pântanos e até em ambientes marinhos. As espécies terrestres necessitam de locais úmidos para evitar a desidratação, enquanto os aquáticos dependem da qualidade da água. Sua distribuição é praticamente global, com exceção de regiões extremamente frias ou secas, sendo mais abundantes em áreas tropicais e subtropicais.



Comportamento


Caracóis apresentam hábitos geralmente noturnos, o que contribui para evitar a perda de água por evaporação. Durante o dia, permanecem escondidos sob folhas, pedras ou enterrados no solo. São animais lentos, com deslocamento restrito, e sua reprodução pode variar entre espécies hermafroditas ou com sexos separados. Em condições adversas, como períodos de seca, podem entrar em estado de dormência chamado estivação.



Reprodução e desenvolvimento


A reprodução dos caracóis, em sua maioria, ocorre de forma sexuada e apresenta particularidades interessantes, principalmente entre as espécies terrestres, que geralmente são hermafroditas. Abaixo está a explicação da reprodução dos caracóis em etapas:


1. Acasalamento

A maioria dos caracóis terrestres é hermafrodita, ou seja, cada indivíduo possui tanto órgãos reprodutores masculinos quanto femininos. Durante o acasalamento, dois caracóis se aproximam e trocam espermatozoides entre si. O acasalamento pode durar várias horas, e envolve comportamentos como movimentos circulares, contato com os tentáculos e, em algumas espécies, o uso de uma estrutura chamada “dardo do amor”, que estimula a fertilização.


2. Fertilização interna

Após a troca de esperma, cada caracol pode armazenar os espermatozoides recebidos em uma estrutura chamada espermateca. A fertilização dos óvulos ocorre internamente, dias ou semanas depois da cópula, de acordo com as condições ambientais, como temperatura e umidade.


3. Postura dos ovos

Quando os óvulos estão fertilizados, o caracol cava um pequeno buraco no solo úmido (ou escolhe um local protegido) e deposita os ovos. O número de ovos varia conforme a espécie, podendo ir de algumas dezenas a centenas por postura. Os ovos são esbranquiçados ou transparentes e possuem uma casca gelatinosa.


4. Desenvolvimento embrionário

Os embriões se desenvolvem dentro dos ovos durante um período que pode variar de alguns dias a algumas semanas, dependendo das condições ambientais. Durante esse tempo, os filhotes formam suas pequenas conchas e estruturas corporais.


5. Eclosão dos filhotes

Ao final do desenvolvimento, os filhotes rompem a casca do ovo e emergem já com uma concha em miniatura. Apesar disso, ainda são frágeis e vulneráveis a predadores. A concha crescerá progressivamente ao longo de sua vida, acompanhando o desenvolvimento do animal.


6. Maturidade sexual


O tempo necessário para que um caracol atinja a maturidade sexual varia de acordo com a espécie e as condições ambientais. Em geral, pode levar de alguns meses a mais de um ano para que estejam aptos à reprodução.


Essa sequência demonstra que, embora sejam animais simples, os caracóis possuem um ciclo reprodutivo complexo e eficiente, adaptado a diversos ambientes.




Principais espécies de caracóis:



- Helix aspersa: também conhecido como caracol-jardineiro ou caracol-comum, é uma das espécies mais difundidas na Europa e em outras partes do mundo. Tem grande importância na culinária e é criado comercialmente para consumo humano.

- Achatina fulica: conhecido como caramujo-gigante-africano, é uma espécie invasora originária da África Oriental. É um dos maiores caracóis terrestres, podendo ultrapassar 20 cm, e representa risco ambiental por competir com espécies nativas.

- Pomacea canaliculata: espécie de caracol aquático nativo da América do Sul, vive em rios e lagos. Tornou-se praga agrícola em plantações de arroz em algumas regiões asiáticas e americanas.

- Otala lactea: espécie terrestre encontrada em climas mediterrâneos, possui concha esbranquiçada e costuma entrar em hibernação durante o inverno.

- Lymnaea stagnalis: caracol de água doce muito estudado em pesquisas neurobiológicas devido ao seu sistema nervoso relativamente simples e acessível.



Curiosidades:


1. A concha dos caracóis cresce junto com o animal, em espiral, e não pode ser trocada. Se quebrada, pode se regenerar parcialmente, desde que o manto (tecido responsável pela produção da concha) permaneça íntegro.


2. Algumas espécies de caracóis podem hibernar ou estivar por longos períodos, chegando a permanecer inativos por até três anos em ambientes desfavoráveis, como regiões secas ou frias.

 

Foto de um caracol de jardim

Caracol de Jardim

 

 



Por Tânia Cabral - Professora de Biologia e Ciências - graduada na Unesp, 2001.

Publicado em 27/08/2025



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Bibliografia Indicada:

 

BARNES, R. D. Zoologia Geral. 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.

 

https://www.viveraciencia.org/images/documentos/caracois_bichos_jan_pais_e_filhos.PDF

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